Recife é uma cidade engraçada. Rica em produção cultural, talvez uma das mais ricas do país (aqui considerando o Grande Recife, contemplando Olinda), talvez a única coisa que supere sua diversidade cultural e produção artística seja a produção de idiotas e incompetentes.
Um exemplo clássico - o Bompreço - mostra do que uma administração incompetente é capaz. Sempre que chega um produto novo, normalmente melhor do que os anteriores, é em pouquissima quantidade (claro que não pode ser muito, por conta do risco de mercado, mas testar a aceitação de uma cerveja nova com um Six-Pack é um tiro no ovo), e quando o produto some das prateleiras e começa a fazer sucesso, é o momento em que o gerente entra em cena e diz "Agora que já sabemos que esse produto é bom, barato e todos gostaram, vamos parar de vender e voltar pra porcaria anterior". É exatamente assim.
Com bares e restaurantes é mais ou menos a mesma coisa. Recife é uma cidade de modinhas. Os mesmos donos abrem e fecham casas de shows, bares, restaurantes e botecos como quem abre e fecha a porta da geladeira. Nada dura mais que seis meses, tempo suficiente para o dono salvar o investimento, tirar algum lucro, juntar capital para o próximo negócio e alguns playbas pagarem de vip´s, piriguetes pagarem de vip´s com os playbas e gente de bem se estressar com péssimo atendimento e favorecimento a pseudo-aristocratas.
Sempre que alguma boa idéia surge, em pouco tempo ela desaparece. Poucos são os bares honestos que conseguem prosperar nessa alcatraz gastronômica. Outros tem o disparate de abrirem casas com pratos individuais custando mais do que R$60,00 por cabeça (tudo bem, vai quem quer).
O mais revoltante é você ir até um lugar, com extrema boa localização, extremo bom gosto na ambientação, comida até boa, mas que possui os três pecados imperdoáveis que um bar-restaurante não pode ter. Você, como cliente, pode aturar um pecado de cada vez. Você pode aturar a comida pouca, pode aturar o preço exorbitante e pode aturar o péssimo atendimento. Vale a pena pagar um preço abusivo por uma comida inesquecível, até mesmo aguentar o péssimo atendimento num bar que tem preço bom e comida decente. Mas no Nakumbuca não é assim. Lá você tem que aturar tudo isso ao mesmo tempo.
O bar-restaurante Nakumbuca fica localizado bem próximo ao antigo Fiteiro, esse sim um dos bares mais honestos da cidade. O ambiente é interessante, de bom gosto, espaço amplo e boa iluminação. A tortura começa quando você resolve sentar numa mesa e tentar ser atendido.
Esperava garçons bem dispostos e simpáticos, mas o que vimos foi um bando de marmanjos carrancudos e de má vontade, fazendo com que parecesse um favor que estavam nos fazendo. Aí entrou o primeiro pecado imperdoável, que é o do péssimo atendimento. Era um martírio conseguir que o garçon viesse até a nossa mesa registrar o pedido, e a impressão que dava quando pedíamos era de que ele ria por dentro e estava desenhando bonecos-palito no palm que tinha nas mãos.
O segundo pecado imperdoável foi o da comida pouca. Eu pedi um sanduíche de lombo, que estava muito bom, diga-se de passagem, mas o pão francês redondo era menor do que um pão de hamburguer do macdonalds. Era ridiculamente pequeno. E custou R$9,90. Talvez o mais impressionante tenha sido os mini-hamburgeres parecidos com o do Pin Up, que custavam R$2,50 cada, e deveriam chamar-se nano-hamburgueres, dado o seu diminuto tamanho. Levaram o troço do mini muito a sério. O coitado do meu irmão pediu uma Bruschetta, e recebeu 6 torradinhas minguadas que davam dó de comer. Sem falar que demorou aproximadamente 1h e 15 para receber o pedido. Absurdo é pouco. Os Sunomonos até que sairam rápido, demoraram só uns 40 minutos. Ponto positivo para a coxinha de camarão, que de fato tinha bastante camarão dentro e era de bom tamanho, deliciosa e custa o mesmo que a média dos outros bares.
O terceiro e imperdoável pecado foi o do preço. Comemos mal, pouco, saímos com fome e pagamos mais de R$150,00 no final das contas. Ainda pagamos 10% de taxa de serviço, quando nós é que deveríamos ter tido 10% de desconto por termos sofrido tanto.
Resultado: tomamos Nakumbuca. Deve ser esse o intuito do nome do bar. Realmente não recomendo essa experiência. Se puder evitar, evite. Péssimo atendimento, preço abusivo e comida feito amostra grátis.
É pra passar longe.