13 de abr de 2009

Aqui dentro, o preto é você

Como eu sou mesmo um panaca, vou postar essa historinha que retrata bem como nosso país é formado por trouxas e o nome de República das Bananas não podia ser mais correto para nossa querida "nação".

O fato é que certa vez fui chamado de mesquinho por cobrar os centavos no troco do supermercado. Como a fila estava grande, isso gerou uma certa "impaciência e insatisfação" nos outros clientes que aguardavam na fila do caixa "rápido", que é tão rápido quanto um modem de 33k numa linha da Telemar, mas isso é assunto para outro post.

Vamos lá, matemática de quarta série. O produto custava R$1,97 e paguei com R$2,00 quanto me fica de troco? Muito bem, R$0,03 ou três centavos. A mula paralítica que estava no caixa prontamente me deu o cupom fiscal e chamou o próximo. Fiz cara de paisagem e fiquei olhando pra ela, que franziu a testa como quem diz "sim, mas... o que o Sr. quer?"

Falei que queria meus três centavos de troco. Foda-se se são três centavos ou três reais. O dinheiro é meu, ganhei honestamente e só dou ele de graça se eu quiser e garanto que não vai ser pra nenhum supermercado fanfarrão. Muito a contragosto a atendente me deu R$0,05 de troco, fazendo aquela cara de nojo que o típico brasileiro com qualificação pra ser caixa de supermercado faz para alguém honesto e que exige seus direitos.

Qual é a lógica dessa anta? O supermercado pode roubar R$0,03 meus, mas não pode abrir mão de R$0,02 em favor do cliente? Então tomem nos seus bons cus e fabriquem moedas de um centavo, ou então arredondem todos os caralhos dos preços dos produtos e evitem serem chamados de ladrões ou coisas menos publicáveis.

Ouvi hoje uma história, que por sinal motivou esse post, de uma senhora aqui de Recife que cansada de receber troco em balinhas juntou um monte e foi comprar um vidro de Nescafé. Chegando na hora de pagar deu as balinhas e após o caixa retrucar, ela disse:

- Por que isso aqui é dinheiro para vocês e não é para mim?

Eu juro que queria estar presente pra ver a cara de bunda do atendente. A bronca da velhinha foi aceita mas não por ela estar CORRETA no seu pleito, e sim por ela ser conhecida por contestar o que acha estar incorreto. E nem adianta argumentar que ela não deveria ter aceito as balas. É OBRIGAÇÃO do estabelecimento ter o troco para passar ao cliente, e não COAGIR a pessoa a aceitar aquelas balinhas sebosas de abacaxi que dão dor de cabeça até no capeta.

O problema é que a corrupção está impregnada em todas as esferas do governo, assim como a falta de educação e desonestidade estão impregnadas em todas as esferas sociais, da classe A até a classe Z. Todo mundo rouba e leva vantagem, a diferença é quanto cada um pode levar desse bolo.

Como num filme que vi muito tempo atrás, na hora em que o branquelo entra na cadeia, o negão fala para ele:

- Aqui dentro, o preto é você.

Uma metáfora perfeita para as pessoas honestas e educadas desse país.

3 comentários:

Raquel X disse...

Ô Marcel, quando me perguntam se eu quero bala, eu prontamente respondo que quero dinheiro.

O som da palavra dinheiro emudece qualquer pessoa.

rodrigo albuquerque disse...

É. Não sei se é essa cidade ou esse país, mas que isso é uma puta sacanagem, é.

Parabéns pelo post.

Nair disse...

Marcel...

Infelizmente falta de qualidade não é um privilégio de um ou outro estado. O país todo é uma mmm só. E viva o Brasil!!!
Cheguei aqui por conta do título do blog, mas assim com este país de décima categoria, fala sério né, não há enxaqueca que se cure...kkk
Gostei das suas postagens...
Nair
www.simplesmentenair.blogspot.com.